terça-feira, 6 de novembro de 2012

O acendedor de corações



Era uma noite gelada e fria
em que o sereno da madrugada caía.
O vento castigava
a quem não se abrigava
da noite que se prolongava,
como uma ave de rapina,
estendendo as suas garras
até  alcançar o raiar do dia.
Nessa noite o Amor se compadeceu
de todos aqueles
que não tinham um amor
para chamar  de seu.
Acendeu um candeeiro
e saiu na noite escura,
como um curandeiro,
procurando um coração
que precisasse de um pouco de paixão,
para dar vazão à emoção 
que fazia eco em seu coração.
Andou por muito tempo
e foi acendendo todos os corações
em que a chama da paixão
o Vento do Tempo apagara. 
Por onde andou,
só encontrou as cinzas
que a paixão deixara,
nesses corações 
que nunca mais amaram
e que já haviam esquecido
o quanto o amor os havia aquecido.
Acendeu tantos corações,
até que a chama do seu candeeiro apagou.
E com o vento como açoite,
voltou para o seu leito e dormiu,
como nunca antes havia feito,
nos lençóis amassados e desfeitos.

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